segunda-feira, 30 de abril de 2012
Comissão da Verdade
-
não peço
meias verdades
meia boca
meia furada
mentira pela metade
se é que isso existe
metonímia parte
por
parte
:
só peço
sua opinião
palavras ou gestos
qualquer manifesto
ato de rua
protesto
uma tarde de lua
de luta e de festa
!
uma noite de luta
tiro de policia em sua testa
.
me despeço
assim como a rua
despida de carros
tomada por gente
sangra do seu sangue
vermelho
quente
e a mudança ainda
ven
ta
(
pois me despeço
e a memória não
se despedaça
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helena
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
Reacalanto para Chico
( depois da noite em que o vi cantar ao vivo)
Hoje acordei com quereres
de saber mais de Chico
mas o homem, pretérito do velho
(qual novo Francisco)
mas o homem, tímido e mordido
não se diz
Acordei
com os ouvidos em xique-xique
e quero falar de Chico
aqui lá aos quatro cantos
Chico já desbigodado
Chico já sem Marieta
mas com nova namorada
pra mandar "beijos para os seus"
e também beijos ao Chico
Mas o Chico como está?
Está cá, está tranquilo,
depressivo ou além mar?
Chico está tipo assim
(tipo pra vida inteira)
ou será que está só feliz?
Quero saber de Chico
se anda fumando
se anda nas ruas
se anda desandado
(mas acho que não)
E bater um papo
falar sobre o Gabo
trocar um cinema
saber como vai essa vida em Paris
e o que ele acha desse Sarkozy
e o que ele acha daqui do Brasil
De Chico eu quero um pouco
daquela monotonia
daquela monocromia
e um pouco daquela alegria
que é dura, que é flerte
que é o errado do certo
o vice dos versos
a pinta dos restos
a ruga dos cantos
essas cantorias
de voz e de estórias
poesia tão prosa
Pra saber de Chico
há que nascer um pouco
há que fazer-se louco
e depois se aguentar
e há que saber de Milton,
Bethânia e Jobim,
Vinicius e Lula
e da quase Tropicália
quase carnaval
fase temporal
e as tantas mulheres
e o tanto cansaço
e o tempo do maço
e o que não é fácil
Hoje acordei para saber de Chico
nem pouco nem tanto
mas como é de noite
e eu não sei de nada
vou dormir em Acalanto
pr'amanhã me levantar.
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helena
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22:52:00
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sábado, 21 de abril de 2012
Maternura
Mara, Marina
moça moribunda
mulher maltrapilha
amor bugiganga
de mãe
para filha.
moça moribunda
mulher maltrapilha
amor bugiganga
de mãe
para filha.
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14:01:00
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
edgar
uma noite fria
para ler
allan
poe
sia.
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helena
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terça-feira, 10 de abril de 2012
ego de casal
querida eu
nice,
queria constar
que somos só um
eunice em mim
eu em eunice
(parece bonito
e no entanto difícil)
pois para que
demarcar nosso fim
se eu sou nem nome
se eunice é de si?
o amor com eunice
vai festa, é feliz
é fogão à gás
quando acaba a luz
assim
(cada um por si)
seguimos
eu e eunice
tudo numa nice
nice,
queria constar
que somos só um
eunice em mim
eu em eunice
(parece bonito
e no entanto difícil)
pois para que
demarcar nosso fim
se eu sou nem nome
se eunice é de si?
o amor com eunice
vai festa, é feliz
é fogão à gás
quando acaba a luz
assim
(cada um por si)
seguimos
eu e eunice
tudo numa nice
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
Ré
num passeio nas pocilgas
passa guerra passa paz
ela pessoa
possível
sem pressa
passo-a-passado
lento compasso
anda para trás
em pés descalços
revira pestinha
uva passa e passanel
escolhe as memórias
recolhe os abraços
(lembrete de nuvem)
no ver
dadeiro
ou falso.
passa guerra passa paz
ela pessoa
possível
sem pressa
passo-a-passado
lento compasso
anda para trás
em pés descalços
revira pestinha
uva passa e passanel
escolhe as memórias
recolhe os abraços
(lembrete de nuvem)
no ver
dadeiro
ou falso.
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16:19:00
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domingo, 25 de março de 2012
Que(rer)
Às vezes eu acho
Que não falo
- te amo
Pra não dar o braço a torcer
Pra toda a história não se distorcer
Pra, enfim, ficar mais tempo
Junto de você
(E o amor é coisa pequena
nesse mundo de lunetas,
cliques, pixos e clichês.)
Que não falo
- te amo
Pra não dar o braço a torcer
Pra toda a história não se distorcer
Pra, enfim, ficar mais tempo
Junto de você
(E o amor é coisa pequena
nesse mundo de lunetas,
cliques, pixos e clichês.)
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21:29:00
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quarta-feira, 21 de março de 2012
Casos
Passo um tempo a esperar
A hora em que você me busca
Ver a calma escuridosa
Na cidade cedo adormecida
Nós acordados com o motor do fusca
Sem lembrar de falar de amor
Como se idade fosse música
Como se fosse
nada além do que for.
A hora em que você me busca
Ver a calma escuridosa
Na cidade cedo adormecida
Nós acordados com o motor do fusca
Sem lembrar de falar de amor
Como se idade fosse música
Como se fosse
nada além do que for.
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19:42:00
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domingo, 11 de março de 2012
Letras
acho que estou
amando
o mundo
acho que estou
no gerúndio.
amando
o mundo
acho que estou
no gerúndio.
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helena
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23:16:00
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Porcelana
Pequena, seis anos
Uns cachos com trança
Mão dada na mãe
O peito com bojo
A tinta nas unhas
Dez dentes de leite
No pé, salto alto
E a mãe se distrai
A pequena tropeça
Se rala no asfalto.
Uns cachos com trança
Mão dada na mãe
O peito com bojo
A tinta nas unhas
Dez dentes de leite
No pé, salto alto
E a mãe se distrai
A pequena tropeça
Se rala no asfalto.
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quinta-feira, 1 de março de 2012
Conforto
à querida Giu
Só acho engraçado
Esse tanto de coisa que a gente nem ri
E acha engraçado
Vejo graça nas histórias
No erro besta que dá certo
No que é feio mas é belo
E vejo graça demais
Não na menina
Mas no jeito todo dela
Como se fosse ela nuance
E vejo graça em seus passos
Seus causos, seus risos
Seus sisos, seus sinais
E nos ossos magros, marginais, das mãos
Na lembrança vermelha dos óculos
Que nem sequer cheguei a ver
Vejo graça nos traços da menina
Seus carinhos tracejados
Ela muito gracejada
Mas a todos rejeitando
Menina de riso
De prosa, de ponta
Menina de tanto e intento
Se lança aos bons ventos
Depois pede calma
É que acho engraçado isso tudo
Falar sobre amor
Amar de verdade um tanto de gente
Nas horas que dá
É que acho engraçado esse medo
Dos palcos que vêm
Do pouco a perder-se no nosso jardim
Como se a menina não visse
Ou as borboletas não viessem
Mas vêm, amarelas, em rimas
Dançando ballet no jardim
Porque não deixa de ser engraçado
Essa tal coisa de amor
Que faz choro, faz arte
E adubo, e saudade
Acho mesmo muita graça
E nada, nada disso passa.
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Chuva de irmã para irmã
Vamos fazer silêncio
e ouvir a chuva
-
Fazer silêncio para cada gota
uma por uma
-
Vamos pensar na morena
que vai à janela e fuma
sem medo de se ensopar
-
Vamos chorar de lembrar
da sopa sofrida da mãe
muita água e mistura nenhuma
-
E vamos lembrar das fotos antigas
eu você roupas de bailarina
pensando num mundo de plumas
-
hoje não tem arco-íris
mas tem um par de lacunas.
e ouvir a chuva
-
Fazer silêncio para cada gota
uma por uma
-
Vamos pensar na morena
que vai à janela e fuma
sem medo de se ensopar
-
Vamos chorar de lembrar
da sopa sofrida da mãe
muita água e mistura nenhuma
-
E vamos lembrar das fotos antigas
eu você roupas de bailarina
pensando num mundo de plumas
-
hoje não tem arco-íris
mas tem um par de lacunas.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Primeiras palavras
faltou (mais)
fá
lar
dessa boca
sem
sol
entrecortada
entrechuvas
a voz saiu
rouca
louca
pouca
fracarinhosa
tinhosa
sem ninho
dia-
logo quieto
eu desbocado
labiaberto
fá
lar
dessa boca
sem
sol
entrecortada
entrechuvas
a voz saiu
rouca
louca
pouca
fracarinhosa
tinhosa
sem ninho
dia-
logo quieto
eu desbocado
labiaberto
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
Léu
Enquanto eu
rio
Você aí
tá mar
assim
sendo assunto
atenção
(assumpção)
p_ mudo
e mudança - mais dança
fon fin fan fin fria
até que a luz ia
(s)e foi pro beleléu
rio
Você aí
tá mar
assim
sendo assunto
atenção
(assumpção)
p_ mudo
e mudança - mais dança
fon fin fan fin fria
até que a luz ia
(s)e foi pro beleléu
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Não é nada grave
se a poesia não pesa
se poeta flutua
imagina então nós dois juntos
na lua.
se poeta flutua
imagina então nós dois juntos
na lua.
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