do que foi ou viu
nada mais vale
se aquilo ou isso
malgrados ou malefícios
se jogou do particípio
de toda sua vida
(indicativo)
conjugado ao
pre
ci
pí
ci
o
.
momento presente-gerúndio
muito-menos-que-perfeito
na queda
sem baque
sem fundo.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Resquício
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helena
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
A Boca
1. A boca antes gritava
A boca gemia e seria vermelha
Não fosse o então brancor
De sua palidez
2. A boca larga
- boca delgada -
De gente sedenta
Em setenta dentes
Da boca úmida
Unida à outra boca
Falando mais e em dobro
3. Engolindo também o dobro
Do choro
E do mal cheiro
- malfeitor -
Transfigurador defeições
Ou foices ou frases
Os ases da sorte
Um corte de azares
No beiço apertado
4. A boca calou-se
Nos escombros
C A L A B O U Ç O
E foi aí que o corpo
Se acabou.
A boca gemia e seria vermelha
Não fosse o então brancor
De sua palidez
2. A boca larga
- boca delgada -
De gente sedenta
Em setenta dentes
Da boca úmida
Unida à outra boca
Falando mais e em dobro
3. Engolindo também o dobro
Do choro
E do mal cheiro
- malfeitor -
Transfigurador defeições
Ou foices ou frases
Os ases da sorte
Um corte de azares
No beiço apertado
4. A boca calou-se
Nos escombros
C A L A B O U Ç O
E foi aí que o corpo
Se acabou.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
Questão Literária
quanto existe
de um amor murcho?
quem é protagonista
de um rio sem curso?
não sei, neste mundo
o que me dói mais:
se é o livro ir pro lixo
ou o lixo ser luxo.
injusto
é palavra ter custo.
de um amor murcho?
quem é protagonista
de um rio sem curso?
não sei, neste mundo
o que me dói mais:
se é o livro ir pro lixo
ou o lixo ser luxo.
injusto
é palavra ter custo.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
bússola
virei a noite
inteira
acordada
procurando pelo norte
da alegria que está longe:
talvez ocupada;
talvez morta.
inteira
acordada
procurando pelo norte
da alegria que está longe:
talvez ocupada;
talvez morta.
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18:09:00
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domingo, 19 de agosto de 2012
Poema para Sara Winter
cara sara
(loira e magra)
aqui a carne é quente
mas também
a carne é crua
e grita e canta
e dança e sua
vai além de só uma nua mulher.
cara sara,
agora saiba:
o movimento virá
nas
ruas.
(loira e magra)
aqui a carne é quente
mas também
a carne é crua
e grita e canta
e dança e sua
vai além de só uma nua mulher.
cara sara,
agora saiba:
o movimento virá
nas
ruas.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
Campos
Haroldo percebeu novos ares
antes de qualquer farol
dos faraós da poesia
nos sóis a sóis paulistas
e riu, noigandres,
nos grandes baús de rima fácil
na poesia de seu dia
diagramático
dialético
diamante
na diária correspondência
carbonal
carnavais de caetanos
palavra por palavra
signo pós signo
sem
si
nem
fi
nal.
antes de qualquer farol
dos faraós da poesia
nos sóis a sóis paulistas
e riu, noigandres,
nos grandes baús de rima fácil
na poesia de seu dia
diagramático
dialético
diamante
na diária correspondência
carbonal
carnavais de caetanos
palavra por palavra
signo pós signo
sem
si
nem
fi
nal.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Costura
bordei meus amigos
numa saia rodada
de algodão e boas rendas;
fazenda.
brotei incontáveis flores de linha
carinho sorriso
teoria na prática
e falta de idade
na dança a saia
girou
arre-------------mate
como se fosse um abraço
onde também fui bordada
e de meus amigos matei a saudade
numa saia rodada
de algodão e boas rendas;
fazenda.
brotei incontáveis flores de linha
carinho sorriso
teoria na prática
e falta de idade
na dança a saia
girou
arre-------------mate
como se fosse um abraço
onde também fui bordada
e de meus amigos matei a saudade
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Botões
abotoei nosso carinho
que-nem vestido de algodão
em menina de pele macia
o carinho desbotou
ficou largado no armário
e a casa do botão
ficou
vazia
sem companhia
nem campainha
de nada servia mais
o tapete de
boas
vindas
(que então se encheu de pó)
e ninguém nem se importou
pois ninguém abriu
a porta.
que-nem vestido de algodão
em menina de pele macia
o carinho desbotou
ficou largado no armário
e a casa do botão
ficou
vazia
sem companhia
nem campainha
de nada servia mais
o tapete de
boas
vindas
(que então se encheu de pó)
e ninguém nem se importou
pois ninguém abriu
a porta.
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terça-feira, 31 de julho de 2012
malmequeres
triste foi o dia que
não te vi:
tu saíste em transatlântico
e eu fiquei a ver
na
vi
os
na frente fronte sem ponte de férias
o mar que tricotei nos olhos
quando parada na beira do porto
tu nas eu
ro
pas viraste senhor
nas casas de meia-calça nas coxas de cinta-liga
já eu
te dei como morto
segui minha vida sozinha
(e muito bem, obrigada)
diga-se de passagem
diga-se ao pé da
e s t r a d a
não te vi:
tu saíste em transatlântico
e eu fiquei a ver
na
vi
os
na frente fronte sem ponte de férias
o mar que tricotei nos olhos
quando parada na beira do porto
tu nas eu
ro
pas viraste senhor
nas casas de meia-calça nas coxas de cinta-liga
já eu
te dei como morto
segui minha vida sozinha
(e muito bem, obrigada)
diga-se de passagem
diga-se ao pé da
e s t r a d a
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sábado, 28 de julho de 2012
falls
ponteiro LEAF
poesia LIFE
poema FILE
até que leia e releia
chegue à falência and
LEAVE IT ALL.
poesia LIFE
poema FILE
até que leia e releia
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14:40:00
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
p.s.
mando a mais nova polêmica
acerca do ser-poema,
selo em carta pelo mundo:
mando dez beijos nos pés
indo até o cocoruto
de amor bruto inconse-
quente
conselhos de quem suspira
sustenidos nos ouvidos
(malucos, alucinados
sob as luzes do abajur)
sei de cor e salteado
-- sapato sem salto,
solado descalço --
cada palavra (dis)cursiva
decisiva em nossas curvas
e deixo um p.s., pergunta
percalço de cada pegada
quiçás em sementes insones:
pois
"onde anda a poesia
nessas linhas de poema?"
(enquanto isso
nossos versos
se abraçam;
qual fossem, do outro,
vereda.)
acerca do ser-poema,
selo em carta pelo mundo:
mando dez beijos nos pés
indo até o cocoruto
de amor bruto inconse-
quente
conselhos de quem suspira
sustenidos nos ouvidos
(malucos, alucinados
sob as luzes do abajur)
sei de cor e salteado
-- sapato sem salto,
solado descalço --
cada palavra (dis)cursiva
decisiva em nossas curvas
e deixo um p.s., pergunta
percalço de cada pegada
quiçás em sementes insones:
pois
"onde anda a poesia
nessas linhas de poema?"
(enquanto isso
nossos versos
se abraçam;
qual fossem, do outro,
vereda.)
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
Conto da despertação
A Louca da Rua, apelido Maria do Pranto, tanto gritou, esganiçada, que tirou da cama o Seu Osaías, e cortou pela metade cada mariposa que dele habitava os sonhos naquela noite. Era mariposa da cor que fosse, grandes pequenas falantes dançavam com as antenas por entre Seu Osaías tão sorridente como nunca antes. Se chacoalhava com a música que saía do farfalhar das asas, mas isso tudo em pirlimpisques foi só piscar os olhos e se acabou -- depois de acordado foi aos poucos se esquecendo de tudo, embrutecendo o tecido da face sem feição, até que só restaram aos dias de hoje uns calmos tiques, meio obsessivos, quando ele avista uma mariposa, ainda que do outro lado da janela (o lado ao qual ele nunca se aventura aliás).
Acordado mais cedo, olhou pela janela, os olhos nauseabundos, e e assistir ao nascer tosco do sol urbano e responder o bom-dia da Louca da Rua, preferiu a primeira opção. Ela seguia choramingosa e de voz fraca após tanto berro, que só acalmava quando a luz do sol amarelava tudo o que havia sido sombra debaixo da amendoeira da calçada. Lá, apertada no canteiro mão-de-vaca, a mulher passava seu tempo de mil horas, roçando os dedos sobre a fibra da roupa todinha em tons de marrom.
O sol subiu naquela manhã igual a todos.o.s.dias, sem graça de beleza, e Seu Osaías sem graça sem rima só eterno pretérito imperfeito voltou a dormir até a hora do almoço. Maria do pranto morreu nalgum dia amanhecido, em seu voo capenga de asas marrons, na direção de todas as chuvas. Seu Osaías, quando acordou, só soube dizer (mal sabido e assoviando, o maldito) -- graças a deus. Voltou a dormir e sonhou uma infinidade de coisas bonitas que de nada serviram quando acordou.
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Velhas palavras
eis que:
sim;
esqueci
como se
escreve
daquelas velhas palavras
nada mais é novo
nada mais
me serve
sim;
esqueci
como se
escreve
daquelas velhas palavras
nada mais é novo
nada mais
me serve
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
Lobisomem
Villa Lobos sumia
toda noite de lua cheia
É que a cada nota perfeita
novidade e céu sem nuvem
Villa Lobos virava outro
virava noite compondo uivos
O povo como um relógio
minguava-se atrás da lua
e dormia feliz na inspiração canina
como se fosse canção de ninar
que vinha por entre as cortinas
pelas janelas abertas da vila
Depois, de dia,
aí vinha o resto da vida
como se fosse cartão-postal
parado
mu(n)do
sem-sal.
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terça-feira, 10 de julho de 2012
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