Está nos corpos
guardados nas fotos.
está nas manchas nos guardanapos,
está no ar, no lenço,
no meu pensamento, pois está,
bem como no seu
modo de pensar.
Procuro, procura,
mas está por ali e aqui
está nos invernos e nos lençóis
está nos mares e sob os pés
está aos seus pés!
E bem debaixo da ponta do nariz
esquece de procurar
e limita as buscas
pelo que é provável.
Façamos o caminho contrário.
Está em seus ossos, em seu quarto,
seu modo de escrever, suas calças
está preso na barra mal feita
que escorrega pelo chão imundo.
Está no chão, está na sujeira, está na imundície do...
mundo.
Está na materialidade,
por incrível que pareça.
Basta procurar,
logo irá ao encontro.
Quando acontecer, vai tomar um susto.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Na busca das coisas
Postado por
helena
às
22:23:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
domingo, 22 de junho de 2014
Uma gata grávida é uma ameaça ao mundo dos homens
E no entanto venceremos.
É o que me cabe dizer.
A resistência será brava
como uma gata grávida
prestes a parir.
Partir os escombros,
rotas abertas
espadas em monstros.
A gata ruge enquanto saltam suas crias,
invenções da biologia.
A gata no parto
se torna parteira
e ao mesmo tempo pantera.
Ninguém a segura.
Mieeeeeeeeeeeeaou.
E no entanto venceremos.
E nesta vitória
comeremos nossa própria placenta.
Feito bicho.
É o que me cabe dizer.
A resistência será brava
como uma gata grávida
prestes a parir.
Partir os escombros,
rotas abertas
espadas em monstros.
A gata ruge enquanto saltam suas crias,
invenções da biologia.
A gata no parto
se torna parteira
e ao mesmo tempo pantera.
Ninguém a segura.
Mieeeeeeeeeeeeaou.
E no entanto venceremos.
E nesta vitória
comeremos nossa própria placenta.
Feito bicho.
Postado por
helena
às
14:51:00
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
sábado, 24 de maio de 2014
Constelação
Pouso as mãos sobre meus seios
no vão central do peito,
no vão central do peito,
os dedos acolhidos.
Os seios quentes, quentes
mais ensolarados
que os dias lá fora.
Gosto de tocar-me na pele
percorrer-me.
Aprendo agora que são belos,
mais ensolarados
que os dias lá fora.
Gosto de tocar-me na pele
percorrer-me.
Aprendo agora que são belos,
meus caminhos.
Sóis não passam de estrelas.
Minhas mãos abraçam estrelas.
Sóis não passam de estrelas.
Minhas mãos abraçam estrelas.
Postado por
helena
às
21:27:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
quinta-feira, 8 de maio de 2014
O fim do oceano
Há corpos boiando
nas profundezas.
Às vezes ainda se vê
restos de luzes piscando
nos cômodos dos navios
oblíquos
ou talvez seja apenas
mentira dos peixes,
loucuras.
nas profundezas.
Às vezes ainda se vê
restos de luzes piscando
nos cômodos dos navios
oblíquos
ou talvez seja apenas
mentira dos peixes,
loucuras.
Postado por
helena
às
22:34:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Diagnóstico
De amor não morreremos.
De fome, de droga, de tiro
de dores, cansaço, ciúmes
acidentes e desvios biológicos,
disso tudo morreremos.
De amor não.
O amor não serve para isso
não cria vítimas por aí.
Mas confundem tudo
tomam o amor por qualquer coisa
um sopro de domingo
pronto, já insistem ser amor.
Até um soco no rosto inventaram
chamar de amor.
Mas soco dói,
quebra,
sangra,
entorta,
emudece.
Amor não.
Amor é mais bonito.
Chega das tolices
desse mundo viciado
que gira, gira, gira
faz rotas, translada
e nunca dá passos novos.
O amor nunca matou ninguém.
De fome, de droga, de tiro
de dores, cansaço, ciúmes
acidentes e desvios biológicos,
disso tudo morreremos.
De amor não.
O amor não serve para isso
não cria vítimas por aí.
Mas confundem tudo
tomam o amor por qualquer coisa
um sopro de domingo
pronto, já insistem ser amor.
Até um soco no rosto inventaram
chamar de amor.
Mas soco dói,
quebra,
sangra,
entorta,
emudece.
Amor não.
Amor é mais bonito.
Chega das tolices
desse mundo viciado
que gira, gira, gira
faz rotas, translada
e nunca dá passos novos.
O amor nunca matou ninguém.
Postado por
helena
às
17:57:00
4
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
segunda-feira, 10 de março de 2014
Para dizer alguma coisa
Antes de tudo o que houve
acreditei piamente no trágico e no fim
das coisas.
O finito, o limite
os pulmões para o ar,
soleiras de porta.
Como se não pudesse existir
algo que seja tudo
porque sempre falta alguma coisa --
e nem é "sempre"
porque se houvesse sempre
teríamos tudo.
Quem garante que não haja mastodontes voando no céu?
Bem na hora em que se pisca
ou talvez escondidos pelas nuvens
pelos prédios atrás das cortinas
rindo.
Existem linhas retas
ou apenas segmentos?
Os pontos são quantos
dentro da palma da minha mão?
Creio que todos,
reticentemente.
As estátuas estão se mexendo,
basta olhar
mas olhar com muita atenção.
acreditei piamente no trágico e no fim
das coisas.
O finito, o limite
os pulmões para o ar,
soleiras de porta.
Como se não pudesse existir
algo que seja tudo
porque sempre falta alguma coisa --
e nem é "sempre"
porque se houvesse sempre
teríamos tudo.
Quem garante que não haja mastodontes voando no céu?
Bem na hora em que se pisca
ou talvez escondidos pelas nuvens
pelos prédios atrás das cortinas
rindo.
Existem linhas retas
ou apenas segmentos?
Os pontos são quantos
dentro da palma da minha mão?
Creio que todos,
reticentemente.
As estátuas estão se mexendo,
basta olhar
mas olhar com muita atenção.
Postado por
helena
às
22:24:00
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
quarta-feira, 5 de março de 2014
Atrasos
Não sei o que se passa
em meu ventre
nunca foi de clamar por mim
mas agora está aqui
mudo e calado
numa desonestidade suprema
essa de não me deixar
dormir
pensando quais conteúdos
e infortúnios
meu ventre prepara
ao meu futuro.
em meu ventre
nunca foi de clamar por mim
mas agora está aqui
mudo e calado
numa desonestidade suprema
essa de não me deixar
dormir
pensando quais conteúdos
e infortúnios
meu ventre prepara
ao meu futuro.
Postado por
helena
às
14:25:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Solitária
Tive medo de baratas, Ricardo
em tempos distantes que virão.
Vi e previ, precavida
o reflexo dos vidros
e das rugas monstruosas em meu rosto
até encontrar, no estático
o relance do vento central
aquilo que move os períodos
as determinações lexicais
a luz e sombra no contraste
daquilo que vejo
e que move o foco dos olhos.
As pupilas balançam
impressionáveis
como pedaços pesados de granizo
em chuvas mal programadas.
E ainda assim
lentas
não alcançam o corpo que sentiram passar
não conseguem encostar
em coisas outras que não sejam
o reflexo apenas mal dormido
de um cômodo meio sujo,
com barulho próprios, invisíveis,
de qualquer cômodo.
Ricardo, Ricardo
já deve ter passado por passados parecidos
quando partiu para o Rio de Janeiro
quando Rita arranjou um emprego
(pobre Rita, presa em seus punhos)
e quando morreu sua cachorra branca
vítima de doenças neurais.
O medo dos fantasmas
é o pior dos medos
dentre todos o mais exclamado
ou escondido
nos escombros do que há de vivo
arfando pelos narizes.
nunca se sabe o que pode aparecer.
em tempos distantes que virão.
Vi e previ, precavida
o reflexo dos vidros
e das rugas monstruosas em meu rosto
até encontrar, no estático
o relance do vento central
aquilo que move os períodos
as determinações lexicais
a luz e sombra no contraste
daquilo que vejo
e que move o foco dos olhos.
As pupilas balançam
impressionáveis
como pedaços pesados de granizo
em chuvas mal programadas.
E ainda assim
lentas
não alcançam o corpo que sentiram passar
não conseguem encostar
em coisas outras que não sejam
o reflexo apenas mal dormido
de um cômodo meio sujo,
com barulho próprios, invisíveis,
de qualquer cômodo.
Ricardo, Ricardo
já deve ter passado por passados parecidos
quando partiu para o Rio de Janeiro
quando Rita arranjou um emprego
(pobre Rita, presa em seus punhos)
e quando morreu sua cachorra branca
vítima de doenças neurais.
O medo dos fantasmas
é o pior dos medos
dentre todos o mais exclamado
ou escondido
nos escombros do que há de vivo
arfando pelos narizes.
nunca se sabe o que pode aparecer.
Postado por
helena
às
22:03:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Quando eu crescer
quando eu crescer
quero ser
que nem a ana cristina cesar.
quebrar vidraças coloridas
e, no canto final
exposta ao mundo e à avenida da frente
encruzilhada
esconder os segredos das ostras.
quero ser
que nem a ana cristina cesar.
quebrar vidraças coloridas
e, no canto final
exposta ao mundo e à avenida da frente
encruzilhada
esconder os segredos das ostras.
Postado por
helena
às
13:16:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Organismo
Hoje tive dor nas costas
arranquei as costas fora.
Ontem tive dor nos pés
os pés já se foram embora.
Anteontem encravou-me a unha
foi-se a unha
e todas as demais
para evitar problemas
entrando na carne lateral.
A carne lateral eu raspei no asfalto
no dia em que tropecei
e hoje não a tenho mais.
Na semana em que o sangue desce morri
com cólicas envolvendo o útero
o ventre a explodir.
Não tenho mais útero e ventre
não tenho mais sangue.
E sinto que me chega
neste instante como um prego
uma dor de cabeça...
O coração, esse sim
segue intacto
mas tão intacto que nem bate mais.
arranquei as costas fora.
Ontem tive dor nos pés
os pés já se foram embora.
Anteontem encravou-me a unha
foi-se a unha
e todas as demais
para evitar problemas
entrando na carne lateral.
A carne lateral eu raspei no asfalto
no dia em que tropecei
e hoje não a tenho mais.
Na semana em que o sangue desce morri
com cólicas envolvendo o útero
o ventre a explodir.
Não tenho mais útero e ventre
não tenho mais sangue.
E sinto que me chega
neste instante como um prego
uma dor de cabeça...
O coração, esse sim
segue intacto
mas tão intacto que nem bate mais.
Postado por
helena
às
21:51:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Os sons da cidade
passarinho passarinho passarinho passarinho
passarinho passarinho
passarinho passarinho passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho passarinho passarinho passarinho passarinho passarinho, passarinho
passarinho?
e os edifícios.
passarinho passarinho
passarinho passarinho passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho
passarinho passarinho passarinho passarinho passarinho passarinho, passarinho
passarinho?
e os edifícios.
Postado por
helena
às
19:24:00
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
O que resiste
Mofou o queijo.
Mofou o pão.
De todos teus ângulos só
vejo
bolor
uma película verde
branca
marrom
na razão do incremento,
o ar que respiro.
Mofou o bolo
que fiz com carinho.
Até o leite coalhou.
O resto de doce
do fim de semana clama
formigas!
e apodrece em sua
rasgada embalagem.
Choveu toda noite
e pela madrugada
em sono a brisa nos fez
do relento à garoa.
Dores no corpo
catarro.
A cama nos prende inertes.
Chove e
enquanto caem as gotas
do esgoto indiscreto
vejo que racham o teto e as paredes.
Uma goteira insiste
aprisionada ao mistério fútil deste
labirinto
de caixas, papéis e leopardos
nossa casa.
Mofou tudo
que havia ao redor.
Tudo de cheiro e de som morreu
intoxicado.
Mas o corpo de nós dois,
este continua vivo,
a pulsar,
no frágil frescor das frutas pequenas.
Mofou o pão.
De todos teus ângulos só
vejo
bolor
uma película verde
branca
marrom
na razão do incremento,
o ar que respiro.
Mofou o bolo
que fiz com carinho.
Até o leite coalhou.
O resto de doce
do fim de semana clama
formigas!
e apodrece em sua
rasgada embalagem.
Choveu toda noite
e pela madrugada
em sono a brisa nos fez
do relento à garoa.
Dores no corpo
catarro.
A cama nos prende inertes.
Chove e
enquanto caem as gotas
do esgoto indiscreto
vejo que racham o teto e as paredes.
Uma goteira insiste
aprisionada ao mistério fútil deste
labirinto
de caixas, papéis e leopardos
nossa casa.
Mofou tudo
que havia ao redor.
Tudo de cheiro e de som morreu
intoxicado.
Mas o corpo de nós dois,
este continua vivo,
a pulsar,
no frágil frescor das frutas pequenas.
Postado por
helena
às
17:39:00
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Anatomia expandida
Você tem uma cabeça
com dois olhos
nariz e narinas
lábios, dente, gengiva
um par de orelhas de porcelana
quebrada e semi-surda.
E de dentro da sua cabeça
saem dúzias de borboletas
em todas as cores frias
a montar, pouco a pouco,
um exército com mais de duzentas.
De dentro da sua boca
você cospe as borboletas
como quem come ao contrário
do grande prato que é bosque
e parque e avenidas
o mundo que te habita
no ar que respira.
Você e as vozes
você e os vizinhos
você e o verde macabro que invade
a janela de seu quarto
e o perfume da correspondênciade produto de limpeza
no liso das paredes.
As borboletas
cruéis, não cessam
este furacão de asas finas
do seu desprezo
a recordar as mil folhas ao vento
de um arbusto faminto
em outubro.
Mandei
que se faça o amor.
O amor não veio.
com dois olhos
nariz e narinas
lábios, dente, gengiva
um par de orelhas de porcelana
quebrada e semi-surda.
E de dentro da sua cabeça
saem dúzias de borboletas
em todas as cores frias
a montar, pouco a pouco,
um exército com mais de duzentas.
De dentro da sua boca
você cospe as borboletas
como quem come ao contrário
do grande prato que é bosque
e parque e avenidas
o mundo que te habita
no ar que respira.
Você e as vozes
você e os vizinhos
você e o verde macabro que invade
a janela de seu quarto
e o perfume da correspondênciade produto de limpeza
no liso das paredes.
As borboletas
cruéis, não cessam
este furacão de asas finas
do seu desprezo
a recordar as mil folhas ao vento
de um arbusto faminto
em outubro.
Mandei
que se faça o amor.
O amor não veio.
Postado por
helena
às
12:38:00
2
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
O sintoma
Sorrindo tem um homem na frente do outro homem, completamente paralelos os dois. Sorri porque saiu de casa, andou até o ponto de ônibus, parou. Havia um homem em sua frente, o mesmo homem para o qual agora ele sorri, amarelado, não porque é feliz, mas porque, das chances que tinha de desviar falsamente, e assim ir para o mesmo lado do outro homem, e essas chances equivaliam a cinquenta por cento, nem mais nem menos, ambos quase se trombaram. Agora quase se trombam de novo. Sorriso. A linha cruzada saiu de seu limiar e extravasou na ruptura cotidiana de dois homens, um para cada lado.
Às seis horas cumprem o horário, chegam em casa às sete. Depois do banho, se olham em seus espelhos na procura de fios de barba a despontar pelo rosto. Mas o rosto, desde o banal encontro, havia sido trocado, e assim permanece, como o reflexo do sol na água. Eles gritam, apavorados. Mas ninguém nota qualquer diferença, mínima que seja, a ser digna de reparo. O homem sério, sem vontade alguma, sorri com os dentes amarelos que não lhe pertencem, e sente medo da sua própria face.
Postado por
helena
às
22:58:00
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
prosa
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Poema sem pulso
Quantos passarinhos é preciso trazer-te
para que me tenha ao seu lado?
Dez, cem, mil?
Ou será que um origami
no papel de jornal velho?
Talvez dois canários
talvez uma pomba suja.
Mal sei o número de passos
que devo dar, inequívoca,
até te alcançar
mesmo em braços esticados
pontas dos dedos.
Sei quantos posso por mim
não sei quantos você
me permite.
Criar sacrifícios e provas de amor
falsificar simulacros
entre os astros do universo,
gigantesco universo
que ninguém conhece o fim.
Os fins dos romances já sabemos
está escrito na última página.
Mas dentre tudo isso, que dizer
do fim de nós dois?
Esse fim se resguarda, à espreita,
guardado nos confins dos bons organismos
não como um vírus da gripe
mas uma doença fatal e rara
de poucos estudos e maus tratamentos
onde se guardam
nossos sublimes segredos
que nos tornam
apenas
a essência do que somos.
Sumo.
Quero que acredite em mim
como acreditou não em minha voz
não minhas cordas vocais ou gengivas
mas acreditou em meus lábios.
E acreditou, piamente, e quase chorou
naquele romance de mortes
que leu no mês passado, sozinho,
mas repetiu para mim,
deitados na grama
esperando o ônibus,
as suas frases favoritas.
Um romance de mortos
para um homem vivo,
dotado e detido na angústia e
raiva
que palpita de suas orelhas
pelas fendas que te chegam no cérebro
e do cérebro invade o sangue
até explodir em bomba o coração.
Odeio usar a palavra coração.
Coração Coração Coração.
Me parece que a palavra coração carrega
sugestões de filmes estúpidos
rimas fracas, publicitárias
e a tosca perfeição de um amor
em olhos azuis.
No entanto seguimos aqui.
Estamos vivos.
para que me tenha ao seu lado?
Dez, cem, mil?
Ou será que um origami
no papel de jornal velho?
Talvez dois canários
talvez uma pomba suja.
Mal sei o número de passos
que devo dar, inequívoca,
até te alcançar
mesmo em braços esticados
pontas dos dedos.
Sei quantos posso por mim
não sei quantos você
me permite.
Criar sacrifícios e provas de amor
falsificar simulacros
entre os astros do universo,
gigantesco universo
que ninguém conhece o fim.
Os fins dos romances já sabemos
está escrito na última página.
Mas dentre tudo isso, que dizer
do fim de nós dois?
Esse fim se resguarda, à espreita,
guardado nos confins dos bons organismos
não como um vírus da gripe
mas uma doença fatal e rara
de poucos estudos e maus tratamentos
onde se guardam
nossos sublimes segredos
que nos tornam
apenas
a essência do que somos.
Sumo.
Quero que acredite em mim
como acreditou não em minha voz
não minhas cordas vocais ou gengivas
mas acreditou em meus lábios.
E acreditou, piamente, e quase chorou
naquele romance de mortes
que leu no mês passado, sozinho,
mas repetiu para mim,
deitados na grama
esperando o ônibus,
as suas frases favoritas.
Um romance de mortos
para um homem vivo,
dotado e detido na angústia e
raiva
que palpita de suas orelhas
pelas fendas que te chegam no cérebro
e do cérebro invade o sangue
até explodir em bomba o coração.
Odeio usar a palavra coração.
Coração Coração Coração.
Me parece que a palavra coração carrega
sugestões de filmes estúpidos
rimas fracas, publicitárias
e a tosca perfeição de um amor
em olhos azuis.
No entanto seguimos aqui.
Estamos vivos.
Postado por
helena
às
13:25:00
3
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
poema
Assinar:
Postagens (Atom)