sexta-feira, 4 de março de 2011
Hemorragia
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quinta-feira, 3 de março de 2011
Jugo de Sandía
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quarta-feira, 2 de março de 2011
Las Dos Lunas
La luna allá,
La luna de
La luna acá.
Yo en la
Luna de acá
Veo dos lunas
Una del cielo
Una del solo.
La luna de acá
(Que es luna de
La de allá)
Me es un mirante
De la luna
De allá.
La luna de acá
Es mi refugio
Con un millón
De soles.
Mi nombre es
Soledad y en
La luna de acá
Me durmo al sol
Sob cubiertas
Hechas de Andes.
Yo en la
Luna de acá
Miro mis soles
Y la luna
Del cielo
De allá.
La luna de allá
Es una chica
Hecha de leche
Que mira los
Soles de Soledad.
La luna de allá
Se baña en
Los soles que bañan
Las sombras
De los Andes y
La luna de acá.
La luna de allá
En el cielo azul
Es la irada
De mis ojos chicos.
Pero la luna de acá
Es mi morada con nombre
Y tiene en sus
Ojos de tierra
Una florcita
De cactus
En regalo.
Pero yo solo no sé
Si la flor chiquita
Tan rosada
Es para mí,
Los soles
O la luna de allá.
(11/01/2011
Na estrada, chegando em Copiapó.)
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Ode ao Tomate
Em terra de Neruda
Eu me calo
E miro o mar
Em terra de Neruda
Toda casa é primavera
Todo sismo é maré brava
As calles sinuosas
Tem cada paralelepípedo
De sapato feminino
Em terra de Neruda
Fim de tarde é gaivota
Longo cílio de Pacífico
As janelas se navegam
Nos sinos de toda rua
Nos seios em ode à lua
Em terra de Neruda
Todo vidro é floreira
Todo Chile é de brinquedo
Nada serve
Ser brinquedo
E quebrar tolo nos Andes
Ser chileno por Neruda
É estrela e resistência
Só se quebra de amores
Em terra de Neruda
Que sei eu
De amor e vida?
Em terra de Neruda
Nada sei de poesias
Ou quaisquer humanidades
Não tenho Matilda
Sebastiana, furores
Nem o Chile nem cebolas
Mas olho à esquerda
Um tomate em escarlate
Uma ode ao amor
Que Neruda ensinou.
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Terremoto
Juanito chegante
No verniz dos tacos
Desfila os bigodes
Sísmico lutre apianado
Juanito galante
Mexerica em degradè
Miados posando p'ra foto
Espanholar de ronronices
É Chile todo em terremotos
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Pablo
San Telmo, em Buenos Aires, pode ter em suas calles de domingos os mais dramáticos tangos em novelas de marionete. Os italianos que parlem, parlem, parlem, mesmo que a seus modos cheguem a reger orquestras. O leque negro no olhar indígena ou até as mil asas do beija-flor, não importa. Difícil haver - e se ver - mais graça que en Pablo, que eu diria até Pablito. Existem muitos tipos de garçom no mundo, dos mal-humorados aos mentirosos de otimismo, passando pelos destrambelhados, desesngonçados, desesncontrados, desesnganados, também os galantes e os bons de papo. Por Nova Iorque, São Paulo, Barcelona, Sidney e Verona. Mas é em Olmué, rente à praça principal, que Pablo recita suas gastronomias. Seja atum vietnamita, seja batata saltada ou agridoce salada, Pablo se empolga exibindo as novidades que se emprega a servir. Arregala os olhos feito girassol e gesticula com as mãos de grossas unhas. "Cual és la diferencia entre el atum de Vietnã o de Japón, por ejemplo?" No que ele incrementava: "Bien, yo no sé al certo, pero hay una diferencia, és un plato maravilloso!" E, de pé na cabeceira da mesa, em espanhol chileno tão gentil, recomeçam as histórias dos cardápios, dos companheiros indígenas mapuches e das músicas locais. Os olhos não miram tão longe, pois os amigos estão a poucos centímetros, ao sabor de peixe e ensalada. Talvez sua vista intente, inconsciente, a diferencia latino-americana, increíble como o atum do Vietnã. Talvez, talvez, quem vai saber?
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
La Moneda
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
Perros
Perro, perrito
Tiro um érre de teu nome
Escancaro teu ofício
És perito da cidade
Perro, perrito
Tiro um érre de teu nome
Em vão mostro os obstáculos
"Pero, porém", tanto cão em Santiago
Ou é culpa
Da hipnose de teus olhos
Feito Capitu, Jaci, Basilisco
Ou resulta
Do xadrez de teu andar
Descompasso sincrônico
Croniquíssimo!
Em crônicas se passa tua vida
Entre praça e parágrafo
Pois poema é demais métrica
Aos teus ciscos de latido
Todo texto seu se preposita
Homenagem ao malandro da esquina
Que ronca fomes e dá comida
Perro, perrito
Tua visa se aconchega
Patrimônio dos latinos
Em desfolhada antologia
Cujo título nomina Chile.
Tiro um érre de teu nome
Escancaro teu ofício
És perito da cidade
Perro, perrito
Tiro um érre de teu nome
Em vão mostro os obstáculos
"Pero, porém", tanto cão em Santiago
Ou é culpa
Da hipnose de teus olhos
Feito Capitu, Jaci, Basilisco
Ou resulta
Do xadrez de teu andar
Descompasso sincrônico
Croniquíssimo!
Em crônicas se passa tua vida
Entre praça e parágrafo
Pois poema é demais métrica
Aos teus ciscos de latido
Todo texto seu se preposita
Homenagem ao malandro da esquina
Que ronca fomes e dá comida
Perro, perrito
Tua visa se aconchega
Patrimônio dos latinos
Em desfolhada antologia
Cujo título nomina Chile.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Nota #3
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Amor Vocativo
- Não acredito, amor! Que presente lindo!
- Você merece, amor. Merece isso e muito mais, no seu aniversário e sempre!
- Nova York deve ser maravilhosa, amor! Quando vamos? Ah, eu te amo tanto!
- Eu te amo demais, meu chuchu! E vamos nas próximas férias. Ainda precisamos conseguir passaportes, reservas de hotel, pacotes turísticos...
- Nossa, é mesmo, pode deixar que eu cuido dessas coisinhas. Obrigada, amor! Será uma viagem maravilhosa, só eu e você.
- Só eu e você, amor!
E eles se beijam feito gelatina de framboesa. E assim, gelatinando, eles passam o tempo até chegarem as férias, enquanto aprontam os ultimatos da viagem. No aeroporto:
- Amor, estou tão ansiosa!
- Você vai adorar os Estados Unidos, querida! Assim como eu adoro você, minha linda!
Em estado gelatinoso, eles se dirigem ao guichê da polícia federal, onde são verificados os passaportes. Tudo certo e carimbado à tinta preta, eles pegam o passaporte de volta. Rumando a sala de espera do avião, a gelatina começa a se dissolver:
- Eu não te amo mais.
- Amor, pare com essas brincadeiras. Daqui a pouco vão nos chamar para entrar no avião!
- Mas eu não te amo mais.
- Por quê? O que eu fiz?
- Não fez nada.
- O que aconteceu então?
- Eu vi.
- Viu o quê? Amor, você está doente?
- Vi a foto do seu passaporte. Você não é a mulher bonita que eu conheci. Você é horrível. Não consigo amar uma pessoa feia como você. Adeus.
Tão quieta e sozinha quanto entrou no avião, saiu. Ele, que tivesse o passaporte mais belo do mundo; em carne e osso, conseguiu fazer-se o ser mais horrível do mundo. No verão nova-iorquino, ela e todos os assobios e piscadelas.
Lição para a vida: Nunca julgue ninguém pela foto do RG, da carteira de motorista ou de estudante, pelo carômetro escolar e muito menos pela foto do passaporte. Não há ser vivo que saia bonito naquela maldita 7x5.
14/01/2011
No ônibus, rumo ao Chile, após passar pela alfândega.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Santiago
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Nota #2
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Mendoza
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
Nota #4
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
Caminito
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