as esquinas
tem medo
e peito
e bojo
e jogo
de cintura
as esquinas
tem dores nas costas
nas coxas
tem cílios enormes
e dores nos filhos
que nascem e morrem
todas as noites
as esquinas
infelizmente
se dobram
se curvam
cruzam as ruas
que tem mão única:
que só recebem
mas não dão
essas esquinas
(muitas vezes tão meninas!)
são mesmo é demais valentes
de aguentar
tanto na vida
como se a noite
fosse o dia
e depois seguir em frente.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Durante a noite
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helena
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domingo, 11 de agosto de 2013
Dedicatória
A ti os tomates vermelhos
que escorrem, líquidos,
das pernas.
A ti, inteira, a flor
e semente e caule
e genitália oculta
entre o odor do pólen.
E os mares e a lua
(a ti!) e o sol e estrelas
e tudo que for gigante
que amantes prometem
para falar bonito,
mas nunca vão dar.
Eu não. Dou-te o que
tenho e alcanço
um livro do Graça,
cadernos de capa dura
e maria-moles da feira de doces
na biquinha de Santos
quando nos sobram centavos
para sairmos em curtas viagens.
Se eu pudesse e quisesse
te daria de um tudo,
em um tipo de amor assim
meio megalomaníaco
que às vezes me assusta
no amor pouco que vejo
nos lábios dos outros
pelo tempo do entre-aulas.
Não tenho de muito,
nem faço barganhas.
Não quero comprar-te
na base de anéis e relógios.
Te dou o que posso,
o que me dá vontade
e recorda-me de ti.
O resto eu dedico,
desejos futuros,
e assino embaixo
para que não esqueças
de quem veio tamanho presente
incoerente e solúvel
nas fibras desta folha de papel.
A ti, todo o carinho do mundo
e mais um pouco,
que é para dar sorte.
Beijos,
Helena.
que escorrem, líquidos,
das pernas.
A ti, inteira, a flor
e semente e caule
e genitália oculta
entre o odor do pólen.
E os mares e a lua
(a ti!) e o sol e estrelas
e tudo que for gigante
que amantes prometem
para falar bonito,
mas nunca vão dar.
Eu não. Dou-te o que
tenho e alcanço
um livro do Graça,
cadernos de capa dura
e maria-moles da feira de doces
na biquinha de Santos
quando nos sobram centavos
para sairmos em curtas viagens.
Se eu pudesse e quisesse
te daria de um tudo,
em um tipo de amor assim
meio megalomaníaco
que às vezes me assusta
no amor pouco que vejo
nos lábios dos outros
pelo tempo do entre-aulas.
Não tenho de muito,
nem faço barganhas.
Não quero comprar-te
na base de anéis e relógios.
Te dou o que posso,
o que me dá vontade
e recorda-me de ti.
O resto eu dedico,
desejos futuros,
e assino embaixo
para que não esqueças
de quem veio tamanho presente
incoerente e solúvel
nas fibras desta folha de papel.
A ti, todo o carinho do mundo
e mais um pouco,
que é para dar sorte.
Beijos,
Helena.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Chamamento
dança um samba comigo
senhor dos olhos de vidro!
um samba de ginga e de pinga
para curar solidão
da vida moída
dos talos de vida
e calor.
e dança junto comigo!
ó moça branca e careca
ó moça preta e careca
e todas as moças do mundo
e todas as velhas e crianças
de todas as crenças e cores
cabelos diversos em tons e tamanhos
para a dança de muitas danças
até que se deite o sono
da noite para o dia,
até que se deleite o sonho
da grande Bahia.
senhor dos olhos de vidro!
um samba de ginga e de pinga
para curar solidão
da vida moída
dos talos de vida
e calor.
e dança junto comigo!
ó moça branca e careca
ó moça preta e careca
e todas as moças do mundo
e todas as velhas e crianças
de todas as crenças e cores
cabelos diversos em tons e tamanhos
para a dança de muitas danças
até que se deite o sono
da noite para o dia,
até que se deleite o sonho
da grande Bahia.
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sábado, 27 de julho de 2013
Situação de risco
Eu duvido que soltes a flecha
que a lance direto em meu peito
e, ao mesmo tempo,
também duvido que te lances,
a si próprio, sobre mim
você que tem medo
não do escuro que assombra.
Não do inverno ou da ausência das lãs.
Dos insetos bizarros a assombrar a
sujeira do chão.
Você não tem medo de nada.
Mas tem medo de mim.
Eu duvido que salte e que corra
que grite na minha cara
dentro da minha boca
e, ao mesmo tempo,
que me rasgue um beijo
me tire do sério
me ponha mais louca
do que já sou.
E duvido que me olhe nos olhos
no entorno das pálpebras
na cor dos olhos semi-mortos
por horas, por dias.
Que passemos um ano inteiro
um sobre o outro.
Sendo o assunto da dúvida.
Sendo uma eterna dívida
que poderia doer e arder
e dividir cada cômodo da casa
que não temos.
Até que um de nós, o primeiro,
comece a gargalhar
ou então que chore
até não se saber mais quem exala
as lágrimas duplas
de duas pessoas
transformada em uma.
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
O canto de Mariano
Estávamos
conversando, esses dias, sobre a dependência da criação poética
às experiências pessoais. Decidimos então fazer um desafio:
Helena, mulher branca e feminista, teria que escrever um poema sobre
a causa negra, e Ronaldo, homem negro e anti-racista, faria o mesmo,
mas sobre a opressão por gênero. As trocas de experiência sobre as
opressões que sofremos foram cruciais para que pudéssemos entender
mais e apoiar às causas um do outro e vice-versa. Seguem abaixo os
resultados deste desafio conjunto.
Bastaria uma noite
preta
um chão preto
botas pretas
e olhos fechados,
pensavam os brancos,
para armar na festa
negra
uma farra comedida e
calada
sem incomodar aos
caprichos
e às canecas de leite
de seus vizinhos
brancos:
os que dizem fazer a
ciência
em torno de si,
e fizeram da poesia
um troço branco e
inexato,
poema raro,
armaram mil mecanismos
para arrancar do preto
o que é dele
roubar-lhe a música
os versos e
medicamentos
roubar as salas de aula
os adereços de cabelo
os pequenos endereços
e até o barulho das
festas.
Uma festa muda e
camuflada,
eles pensavam,
para que ninguém
desperte:
nem brancos, em sono de
edifícios
nem pretos, a despertar
todos juntos
sobre si mesmos.
Mal sabiam eles que a
negada
já acordou unida há
tempos.
Não é preciso que
caia a tarde
e chegue a noite
para Mariano começar a
cantar.
Mas nesta noite ele
canta.
A voz sai seca,
coaxando,
e ecoa entre o cimento,
pelas frestas das
lajotas,
rente a cada azulejo
e passa
da festa
ao mundo
e o mundo não passa da
festa dos negros
e mais um pouco,
o pouco dos brancos.
Quando Mariano abre a
boca
até o fundo do seu
próprio céu,
um fim de mundo na
garganta,
canta
as dores de ser
camuflado
ser escondido à
revelia
Mariano, o sapato
furado
mas por pouco tempo,
que fique bem claro.
Cantar o pão velho
não o torna macio
não coloca recheio
presunto nem queijo
mas faz o pão
ainda mais pão,
completamente pão,
duro e coberto de dias,
porém pão.
Canta-se a dor
pois a dor é ainda
mais dor
para doer nos tímpanos
de quem a causa
e fortalecer cada um
dos doloridos.
E vejam que a dor é
muita
para a pouca porção
de pão
mas a festa irá mudar,
vão haver
reviravoltas,
é o que canta Mariano
e que Dona Marta chora
suspira, esfrega os
olhos
calada e de ouvidos
atentos,
o grande corpo de
matrona,
de corajoso ventre,
posicionada em meio à
roda confusa
mas plena de si.
As estrelas medrosas
aparecem,
aos poucos, como gatos
desconfiados,
só para ouvir Mariano
cantar
e ver a festa preta
dançar
nítida,
tremendo o chão da
madrugada.
Ninguém dormiu naquela
noite
e ninguém mais dormirá
até Mariano decidir
se a grande festa já
ganhou
tudo aquilo que queria
e que lhe foi negado
durante toda a vida.
-----------------------
O outro poema está neste link:
http://assimbemdepressa.blogspot.com.br/2013/07/encaminhamento-de-ana.html
-----------------------
O outro poema está neste link:
http://assimbemdepressa.blogspot.com.br/2013/07/encaminhamento-de-ana.html
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
Dentro de dentro
Não escrevo
em entrelinhas.
Exponho o imaginário
num porta-retrato
de tudo que é sólido
por si só lido
sem poeta exato.
Durante a poesia
descrevo
cada incrível estrela
que não vejo
na noite nublada
e feia.
em entrelinhas.
Exponho o imaginário
num porta-retrato
de tudo que é sólido
por si só lido
sem poeta exato.
Durante a poesia
descrevo
cada incrível estrela
que não vejo
na noite nublada
e feia.
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quinta-feira, 4 de julho de 2013
Falso eclipse
Meu amor,
e se eu te disser
que essa lua enorme
que você tanto fala
está na verdade
dentro dos seus olhos?
e brilha o reflexo
do brilho dos meus olhos
que te veem cair no sono
lentamente
como quem cai do céu
ou como um falso eclipse,
meu amor,
entre a tola corrida das nuvens.
e se eu te disser
que essa lua enorme
que você tanto fala
está na verdade
dentro dos seus olhos?
e brilha o reflexo
do brilho dos meus olhos
que te veem cair no sono
lentamente
como quem cai do céu
ou como um falso eclipse,
meu amor,
entre a tola corrida das nuvens.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
Saudades de minha mãe
quis voltar, fiquei.
fiz feliz, mas não a mim.
de que vale tudo isso?
os sóis que partem,
as ondas a chacoalhar esta ribanceira.
vê? até os sóis partem!
e então se repartem em mil
quando passam pelos caleidoscópios de mamãe,
sua diversão diária, infantil e imatura.
seu barco se foi.
foram-se os sapatos
que guardava ao pé da cama
em desejos de promessa
não cumprida, coisa louca.
foi-se a boca de cor incolor
e os cabelos bem presos à nuca
que nunca permitiu-me pensar
na solidão em estado sólido,
permeando meu corpo todo
virginal petrificado de bom filho.
só me deixou às intempéries
sem documentos em mãos
sem décadas de experiência
ou noções de decência.
minha vida aqui largada
meus olhos, meus óculos, a camisa
às traças e às catracas da fronteira
no novo país.
por isso e por tudo o que lembro
marejo os olhos
toda vez que a vejo.
mas nunca vejo.
sobrou-me, o que? uma foto.
como eu, o resto do poema fica para trás
e nunca mais se recompões
clandestino, atracado na popa de seu navio
até que eu me afogue
ou que volte.
fiz feliz, mas não a mim.
de que vale tudo isso?
os sóis que partem,
as ondas a chacoalhar esta ribanceira.
vê? até os sóis partem!
e então se repartem em mil
quando passam pelos caleidoscópios de mamãe,
sua diversão diária, infantil e imatura.
seu barco se foi.
foram-se os sapatos
que guardava ao pé da cama
em desejos de promessa
não cumprida, coisa louca.
foi-se a boca de cor incolor
e os cabelos bem presos à nuca
que nunca permitiu-me pensar
na solidão em estado sólido,
permeando meu corpo todo
virginal petrificado de bom filho.
só me deixou às intempéries
sem documentos em mãos
sem décadas de experiência
ou noções de decência.
minha vida aqui largada
meus olhos, meus óculos, a camisa
às traças e às catracas da fronteira
no novo país.
por isso e por tudo o que lembro
marejo os olhos
toda vez que a vejo.
mas nunca vejo.
sobrou-me, o que? uma foto.
como eu, o resto do poema fica para trás
e nunca mais se recompões
clandestino, atracado na popa de seu navio
até que eu me afogue
ou que volte.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Mônica
Quando ela nasceu,
nasci eu
ainda que não tivesse nascido.
Quando eu rio
ria ela,
a gente não se aguentava
de dar gargalhadas.
Até que em abril
ela: Rio
(de Janeiro)
e a gente chorou
mas chorou bem pouquinho
a ponto de rir no final.
nasci eu
ainda que não tivesse nascido.
Quando eu rio
ria ela,
a gente não se aguentava
de dar gargalhadas.
Até que em abril
ela: Rio
(de Janeiro)
e a gente chorou
mas chorou bem pouquinho
a ponto de rir no final.
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
O cão
cego
o cão atravessa a rua
o cão
no chão quente, no asfalto
que mente ser céu
e tudo
de ponta cabeça
aos olhos sem olhos
do cão amarelo
torto e esbelto
que some
que fome!
debaixo dos carros
ou será que são os carros
tratores urbanos
catarro de ar poluente,
será que são
os carros que surgem
por cima do cão?
vermelho, o cão
de olhos vazios pedindo
fechem-me.
o cão atravessa a rua
o cão
no chão quente, no asfalto
que mente ser céu
e tudo
de ponta cabeça
aos olhos sem olhos
do cão amarelo
torto e esbelto
que some
que fome!
debaixo dos carros
ou será que são os carros
tratores urbanos
catarro de ar poluente,
será que são
os carros que surgem
por cima do cão?
vermelho, o cão
de olhos vazios pedindo
fechem-me.
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terça-feira, 4 de junho de 2013
As linhas das mãos
as mãos não eram,
desde o princípio,
de todo, mãos.
às mãos de minha mãe
não custava levar-me ao colo
quando eu era criança.
mas as suas são diferentes,
as suas mãos,
mãos de cinco dedos
cinco unhas
cada uma
são as mãos somente suas
que te fazem fazer
tudo aquilo que faz
e de mil propósitos me encanta.
porque de todo o tempo
que juntos passamos,
cresceu sobre nós
de maneira inexplicável
o tamanho de nossas mãos
e cada qualquer motivo
para suas novas funções
que nos felicitam em dias
de chuva.
suas mãos,
imperfeitas e tortas,
de dedos delgados,
avançam e agarram
me dão de comer
nas horas que peço.
como se fossem
mãos de cetim
desfiando, aos poucos,
as linhas da vida
em meu corpo inteiro
e nu de destinos.
até que eu nunca pense
nem chegue a morrer.
desde o princípio,
de todo, mãos.
às mãos de minha mãe
não custava levar-me ao colo
quando eu era criança.
mas as suas são diferentes,
as suas mãos,
mãos de cinco dedos
cinco unhas
cada uma
são as mãos somente suas
que te fazem fazer
tudo aquilo que faz
e de mil propósitos me encanta.
porque de todo o tempo
que juntos passamos,
cresceu sobre nós
de maneira inexplicável
o tamanho de nossas mãos
e cada qualquer motivo
para suas novas funções
que nos felicitam em dias
de chuva.
suas mãos,
imperfeitas e tortas,
de dedos delgados,
avançam e agarram
me dão de comer
nas horas que peço.
como se fossem
mãos de cetim
desfiando, aos poucos,
as linhas da vida
em meu corpo inteiro
e nu de destinos.
até que eu nunca pense
nem chegue a morrer.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Coube em mim o universo inteiro
de tanto não poder dormir
lembro que existe o mar e existe a Bahia
lembro da areia do Chile e de outras estradas rodadas
e lembro do cão
que vi se esgotar na terra batida
sob a carga de um caminhão brutamontes
as rodas manchando sangue pela rota
até se esquecerem.
e lembro do cão
o cão de pelúcia que me abraçava
quando eu, pequena, deitava na cama
e dormia de vez
como se por horas
piscasse
no pêndulo parado de um relógio.
de tanto ter que cedo acordar
não pude dormir
até o dado momento.
olhos abertos de olhos para cima
ao teto escuro, à janela fechada
olhos abertos como que fechados
achados no rosto, a serem perdidos
no sonho que não chega nunca.
o olho fechado
pensa estar bem aberto
como a mais nova luneta
de um planetário chileno
sob o controle apagado das luzes.
ali
é uma estrela?
não, é Netuno
nos meus pensamentos noturnos
de tanto não poder dormir.
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domingo, 12 de maio de 2013
Urubuqueçaba
Num salto de sombras
voou o urubu em pleno dia
de carnaval e folias
por entre os grãos de areia
a trespassar suas patas sujas
e sem brincadeiras
pisava torto e sem jeito
o animal de defeitos
à caça de lixo e de queixas
do podre das maçãs
e do sal presente nos restos dos flocos de milho
depois, com certeza,
cagava o lixo do lixo
o podre do podre
a sujeira em dobro.
as crianças pequenas
arregalavam os olhos
já da infância arregalados
e davam meia-volta lotadas
de medo
como se fosse o urubu
o vilão de todas as fábulas
(e quase era mesmo)
o pretume do passarão o trajava em uniformes
tal qual vestimenta de polícia
ou de segurança assassina.
ele alçou voo, batendo forte as asas
e poderia inclusive batê-las
sobre a cabeça de alguém.
no céu de praia festiva
um mar de urubus se encontraram
em ronda sobre tudo que havia
os picolés e amores
as revoltas mais íntimas.
botaram no povo
um medo danado
e, depois, cheios de si,
voaram todos, urubus, à ilha Urubuqueçaba,
o seu quartel-general.
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quarta-feira, 24 de abril de 2013
O mundo no asfalto do medo
Na
rua de baixo
tem
um homem
cujas
partes de baixo
e
linguajar baixo
me
dão medo.
Assombra-me
os passos
de
noite e de dia
sua
voz sombria
que
se soma às injustiças
fincadas
nas sombras do mundo
durante
a penumbra da noite.
O
homem
que
me amedronta
não
ama a ninguém
e
nem ama a mim
quando
silva assovios
e
cospe elogios
em
meus ouvidos.
Não
ama nem a si próprio
este
homem
homem
ingrato e folgado
só
serve para servir-se
e
cobrar os serviços
de
suas domésticas.
Caso
se amasse
veria
a verdade
que
exala nos pelos do corpo:
todo
homem que se impõe
-
HOMEM!
Com
tudo que tem direito
vira
um monstro
tal
qual este ser asqueroso
de
zíper aberto
volumes
expostos
na
busca de caça
para
exercer o privado
no
meio público
sob
a força dos braços
e
das ameaças.
O
homem me dá medo
mas
é por pouco tempo:
em
breve serei mais forte
que
os cortes e sustos do vento.
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quarta-feira, 10 de abril de 2013
Não me esqueci
Quando eu olhar para os lados
verei somente o espelho do céu
sobre o chão de miragens
da estrada mais que sozinha,
eu na estrada vazia.
Meus amigos estão longe
levaram mala, cuia, tudo
foram cada um ao seu canto
tocar a vida
em estudos e artes,
nas novas cidades,
no dinheiro que a vida cobra
e nos descobre adultos.
No frio das europas ou
no calor do interior
meus amigos devem estar bem.
Devem cantar aos pouquinhos
e dançar escondidos
pelados no quarto
sozinhos ou, quem sabe,
com novos amigos.
Quisera eu voltar aos tempos
em que a tarde era livre
para fazermos comida
sentarmos em roda
por entre os abraços.
Pois na verdade meus amigos
são mesmo lindos
pensam no céu como um teto azul
nas nuvens como um algodoal
e gigante sinal da chuva.
Nós amigos cobramos de nós
igual:
que sejamos o nosso básico
que é o fácil que somos
quando em plena felicidade.
Quase muitos, quase todos
meus amigos já saíram da cidade
e eu fico aqui
afogada
em afazeres que me alegram.
Amanhã caço uma brecha
e, pensando,
faço uma breve visita
àqueles que por anos
fizeram à minha vida.
verei somente o espelho do céu
sobre o chão de miragens
da estrada mais que sozinha,
eu na estrada vazia.
Meus amigos estão longe
levaram mala, cuia, tudo
foram cada um ao seu canto
tocar a vida
em estudos e artes,
nas novas cidades,
no dinheiro que a vida cobra
e nos descobre adultos.
No frio das europas ou
no calor do interior
meus amigos devem estar bem.
Devem cantar aos pouquinhos
e dançar escondidos
pelados no quarto
sozinhos ou, quem sabe,
com novos amigos.
Quisera eu voltar aos tempos
em que a tarde era livre
para fazermos comida
sentarmos em roda
por entre os abraços.
Pois na verdade meus amigos
são mesmo lindos
pensam no céu como um teto azul
nas nuvens como um algodoal
e gigante sinal da chuva.
Nós amigos cobramos de nós
igual:
que sejamos o nosso básico
que é o fácil que somos
quando em plena felicidade.
Quase muitos, quase todos
meus amigos já saíram da cidade
e eu fico aqui
afogada
em afazeres que me alegram.
Amanhã caço uma brecha
e, pensando,
faço uma breve visita
àqueles que por anos
fizeram à minha vida.
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