quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Resina

Violino, tal qual meu amor
Talvez com traços violetas
Ante aquele verniz-madeira

Violino assim rasgado
Uma nota, som afinado
Nos fiapos dó-ré-mi

Violino, vi-o-lindo
E sofro em curvas de agudeza
Cordas apertadas que se ecoam só para si

Violino, artefato esconderijo
Cujo arco sinestésico
Toca o corpo e incita voz

Violino, quatro cordas
Quarto e vozes em sussurros
Vinho e tato em solidão

Violino, tão sofrido
Violino resguardado
A cabeça sua voluta, aguardando mil volúpias

Violino é meu amor
Que se faz em fricção
Em meus sonhos, utopia da mais pura ficção

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu toco violino há alguns anos e digo que realmente tem muito a ver com o citado no poema. Você, Helena, é muito boa nisso e sabe disso. Abusa muito na hora de escrever da maneira mais simples que já vi. Um abuso muito pertinente, todavia.E, ainda completo, o título é o essencial. Sem a resina, o arco não pode tirar das cordas um som bonito. O violino é a própria resina no narrador, que me parece um instrumento. Por isso é tão belo.

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